Em breve no blog postarei minhas fanarts em estilo caricatura de personagens dos quadrinhos.

A Batmania de Carmine Infantino

Batman e Robin no periodo de carmine Infantino
Imagem retirada de Batman e Robin nº32 - coleção Invictu, NovaSampa.


O texto abaixo foi retirado da revista Batman e Robin  Nº 32- Coleção Invictus, Editora Nova Sampa, publiquei na primeira versão deste blog na plataforma hpg  e posteriormente republiquei na primeira versão aqui deste blog 




O principal responsável pelo renascimento de Batman, em termos estéticos nos anos 60, foi o desenhista Carmine Infantino (1925). Sua narrativa radicalizou os gibis americanos. Ele verticalizava e horizontava os quadros das páginas, dando a impressão. de que os personagens se fechavam ou se soltavam nos espaços. Os quadros horizontais, por sua vez, contemporinizavam os quadrinhos ao cinemascope. Infantino começou invocando em 1956, ao ressuscitar o super-herói Flash para o gibi "Showcase". Evoluindo para o próprio título de Flash à partir de 1959, e para as aventuras de "Space Museum" (in "Strange Adventures"), no mesmo ano e Adam Strange (in "Mistery in Space"). 

Com estas séries ele deu ao quadrinho para as páginas dos gibis mais evoluções gráficas que os quadrinhos para tiras de jornais, até então mais valorizados artisticamente. Quando a onda de culto aos quadrinhos, pelos europeus, em meados dos anos 60, os gibis foram totalmente desprezados. Mesmo os americanos, em suas convenções, ou premiações pelas associações de cartunistas, só os autores de quadrinhos para jornais eram prestigiados. Aos domingos as páginas dos suplementos apresentavam o que havia de melhor no gênero. Mas à partir dos anos 60 a história foi mudando. 

As tiras de quadrinhos, publicadas em quatro colunas passaram a ser inseridas nos jornais em três colunas, Sendo que nos anos 80, diminuíram para duas colunas, Ou seja, desde que foi implantada, nos anos 10, a tira possuía quatro colunas - aproximadamente 22cm. - e trazia de quatro a cinco quadrinhos por tira. Nos anos 60, em três colunas, as tiras passaram a medir por volta de 17 em. e apresentar três quadrinhos por dia. Nos anos 80, em duas colunas, a tira passou a medir perto de 11 em. e ter apenas dois quadrinhos. 

Quando Infantino passou a desenhar as aventuras de Batman, seu estilo já estava apurado. Fazia dupla com os artefinalistas Joe Giella e Sid Greene, que limpavam seu esboço (originalmente muito riscado). Ambos valorizavam ainda mais a arquitetura dos ambientes "infantinianos", onde o uso de silhuetas de grandes edifícios no horizonte logo se tornou uma marca registrada dele. De 1956 a 1966, Infantino desenvolveu e instituiu a "solução gráfica" para os artistas dos gibis modernos. Como Batman é uma série mais realista do que Flash ou Adam Strange, suas aventuras inspiraram a maioria dos artistas. "Eu desenhava as coisas como queria que fossem. As pessoas, os edifícios... 
Desenhei realisticamente por muitos anos, até que em 1958 resolvi estudar arquitetura. Estudei com um tal Jack Potter. 

Ele não pintava bem, mas se dedicava muito ao desenho, possuia um sentido muito apurado quanto às linhas. O pessoal da National (hoje DC Comies) estava preocupado com aquela minha incursão. Achavam até que eu tinha perdido a mão. Eu me desatei da realidade para entrar no mundo do desenho puro, de onde se obtém a impressão de paz que um artista busca. Passei a desenhar o que queria ver e não o que via. Adotei uma anatomia falsa, ao lado de ângulos e perspectivas que se chocam, mas que no conjunto se integram e formaram meu estilo... Fazer quadrinhos é realmente uma profissão curiosa. A gente se supera. Quando deixei os gibis recebi um monte de cartas". 

Outro grande desenhista do período da Batrnania foi Gil Kane, que assim como Infantino, fazia parte do staff da National Periodical, e assimilou a diagramação mais arrojada de Infantino nas aventuras de Eléktron (The Atom, no original). Kane ficou com a glória de ilustrar as principais aventuras da Batmoça. Foi ele quem praticamente introduziu a personagem nos quadrinhos, e acabou por desenhar também as primeiras aventuras solo dela, assim como as primeiras aventuras solo de Robin, quando o "rapaz prodígio" mudou-se para Hudson, onde foi cursar a universidade se separando de Batman no início dos anos 70. Kane, ao contrário de Infantino valorizava muito a anatomia dos personagens. Foi aluno de Burne Hogarth, um dos grandes ilustradores de Tarzan. 

Nos anos 60 e 70, ao lado de Infantino, Joe Kubert (Sargento Rock) e Jack Kirby (Capitão América), .Gil Kane foi um dos grandes nomes do período. Mas foi Infantino o grande desenhista da Batmania, a onda que ampliou a venda do herói e elevou-o à categoria de grande astro conquistando o famoso seriado de TV. Foi Infantino quem primeiro desenhou a elipse amarela, destacando o morcego do peito de Batman, e que acabou por se tornar um dos maiores, senão o maior, símbolos gráficos dos quadrinhos.

Texto de Franco de Rosa, Diretor de produção da revista coleção Invictus no inicio dos anos 90.

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